Uma estratégia de marketing aplicada ao ensino do Cálculo

Criado em 21 Feb 2018 23:50 por acaetano , última actualização em 25 Feb 2018 20:05


António Caetano
(Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro)

Resumo

Imaginem uma turma de Cálculo I com 48 alunos inscritos e em que a média de presenças nas 24 aulas do semestre tivesse sido de, digamos, 45 alunos por aula… Nada mau!… Agora imaginem que mesmo na última aula ainda tinha havido 43 presenças. Eu sei que é difícil imaginar tal coisa, mas façamos o exercício… E já que estamos no reino da fantasia, imaginem ainda que o professor dessa turma tivesse declarado que uma meia dúzia das correspondentes sessões de OT seria de presença obrigatória… E que os alunos teriam levado tão a sério a indicação do professor que a média de presenças nessas OTs tivesse sido de 45 alunos por OT… Hilariante, não é?…
Bom, e agora podem deixar de imaginar, porque o que acabou de ser relatado foi o que aconteceu exatamente numa das turmas de Cálculo I no semestre que terminou. E com a agravante de durante as aulas os alunos não consultarem os seus smartphones.
Nesta palestra revelar-se-á o motivo que levou os alunos a ter este comportamento estranho. Tal como o título indica, há uma estratégia de marketing por detrás do mesmo. Para além dos benefícios evidentes de uma tal estratégia, discutir-se-ão também os riscos que comporta.


Slides da palestra


Adenda

Tanto nos slides acima como no vídeo abaixo a conclusão no final é apresentada de modo muito sumário.

Apesar da diferença substancial na taxa de avaliados/inscritos entre os anos em comparação, que parece beneficiar o ano da experiência, o desempenho normalizado no universo dos avaliados no ano de controle é melhor, o que de algum modo equilibra o resultado final.

No entanto, o facto de o chamado esquema 16+4 ter sido usado pela larga maioria dos alunos fez com que alguns tivessem sido aprovados "cedo demais", quando em condições normais poderiam ter contribuído positivamente para a estatística conjunta das épocas normal e de recurso. Como referido, é difícil comparar essas estatísticas conjuntas nos dois anos em causa, mas se tentarmos anular o efeito acabado de referir pode dar-se o caso de o desempenho normalizado no universo dos avaliados não ser assim tão diferente nos dois anos, e nesse caso o facto de a taxa de avaliados/inscritos ser substancialmente maior no ano da experiência pode fazer com que o ganho não seja assim tão marginal como referido.

Em conclusão, é necessário experimentar mais. Mas — até para se evitar a dificuldade aqui apontada — em vez de 16+4 deve usar-se 17+3 quando o n.º de valores de questões seletivas em testes for de 5.


Vídeo da palestra

Seminário realizado no Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro e financiado através do CIDMA - “Centro de Investigação e Desenvolvimento em Matemática e Aplicações” e da FCT - “Fundação para a Ciência e a Tecnologia” no âmbito do projeto UID/MAT/04106/2013. Ver anúncio aqui.

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